Bruno, Titi e Giovanna/Foto: Reprodução

Bruno Gagliasso registrou queixa por conta de comentários racistas contra a filha, Titi, de 3 anos, na manhã desta quarta-feira, 16, na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, no Rio. A fofinha foi adotada por Bruno e a mulher, Giovanna Ewbank, este ano no Malauí, na África. A foto da pequena publicada por Giovanna em uma rede social foi alvo de comentários preconceituosos. Um usuário, cujo perfil já foi excluído escreveu: “Você e seu marido até que combinam, mas a criança que vocês adotaram não combinou muito porque ela é pretinha e lugar de preto é na África”. Na saída, Gagliasso disse à imprensa: “Preconceito é crime e vim aqui para falar disso, falar o que aconteceu, e falei a verdade. Agora a polícia vai atrás. Racismo se combate com amor e justiça. É por isso que estou aqui, para ir atrás de quem fez. Tenho 100% de certeza de que a polícia vai achar, vão ter que pagar pelo que fizeram”.

Bruno Gagaliasso chegando na Delegacia/Foto: Reprodução Internet
Bruno Gagliasso chegando na Delegacia/Foto: ReproduçãoGaglia

O ator acrescentou que o caso aconteceu há uma semana e disse que fez imagens das ofensas para embasar a queixa: “É importante não só pela minha família, pela Taís Araújo, pela Preta Gil, é importante pelo nosso país. Por todo mundo. Que sirva de exemplo. Não foi a primeira, mas que seja a última”. Determinado, disse que torce para que o culpado não saia impune: “Espero que não aconteça isso, assim como em qualquer caso, não só o da minha filha. Isso é muito sério, é crime e contra uma criança. Da lei não entendo, tenho é que confiar”. Bruno falou que como pai, se sentiu abalado pelo episódio: “É chato, lógico que nunca vou sentir o que sentiu a Preta Gil, a Taís Araújo, mas como ser humano e pai, fico muito triste. Por isso, estou aqui cobrando e pedindo justiça para as pessoas aprenderem e servir de exemplo para o mundo. Isso não pode acontecer, é muito feio”. Ele também frisou que Titi ainda é muito pequena para saber e entender o que ocorreu, mas que sabe que isso será uma questão no futuro: “Ela não entende nada disso, mas mais tarde vai entender e é por isso que a gente está aqui”.

A delegada Daniela Terra, responsável pelo caso, afirmou que os criminosos vão responder por preconceito, injúria qualificada e crime de racismo. O caso da Titi está inserido no Artigo 140, parágrafo terceiro, inciso terceiro, como injúria por preconceito e crime de racismo. A pena é de reclusão de 1 a 4 anos: “Até agora, temos dois perfis para identificar. O que quero dizer aqui é que infelizmente há um mal uso da internet, das redes sociais, e os hackers que disseminam o ódio na internet, mas vamos identificar apagando ou não os seus perfis”. A delegada revelou que a polícia investiga a possibilidade desses criminosos terem alguma conexão com os ataques sofridos a Ludmilla e Taís Araújo, mas que quando iniciarem as investigações pode ser que descubram alguma ligação desses grupos: “Esses criminosos serão identificados. Eles se utilizam da internet como subterfúgio, acreditando que estão passando despercebidos por estarem em uma rede social. Não adianta apagar perfil porque a polícia civil tem tecnologia suficiente para identificar esses criminosos que serão punidos e individualizados com o rigor da Lei”.

Gagliasso fala com os jornalistas/Foto: Reprodução/Internet
Gagliasso fala com os jornalistas/Foto: Reprodução

Na coletiva de imprensa, realizada nesta quarta-feira, 21, a delegada falou sobre a Operação Gagliasso que identificou suspeitos de praticar crime de racismo na internet contra Titi: “Essa operação foi realizada pela DRCI com o apoio da Secretaria de Inteligência do Estado em São Paulo e teve início com a denúncia do Bruno de que a menina teria sofrido racismo pelo Instagram da sua esposa. Pedimos o sigilo e todas as pessoas suspeitas foram levadas para a delegacia. Uma menor de 14 anos, moradora de uma comunidade de baixa renda e sem infraestrutura de Guarulhos, São Paulo, confessou. Ela não se mostrou em nenhum momento arrependida, o que causou estranheza. Perguntamos qual cor ela achava que tinha. Ela disse que era negra e ela disse que quis fazer isso. Outros suspeitos foram ouvidos, mas chegou-se a conclusão de que eles apenas dividiam a internet com a casa da jovem e não tinham relação com o caso”.

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